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Líderes do MST se aproveitavam de poder para cometer crimes, diz polícia

Líderes do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se aproveitavam da posição de poder para cometer crimes em assentamentos e acampamentos, aponta a polícia. Segundo as investigações que se estenderam por oito meses, lideranças mantinham uma espécie de “milícia particular” e cobravam taxas, por exemplo, pelo uso de água e de energia elétrica.

Na sexta-feira (4), uma ação deflagrada no Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo prendeu oito suspeitos de integrar a quadrilha. Entre os presos está um vereador de Quedas do Iguaçu/PR, eleito pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Em nota divulgada no mesmo dia, o diretório estadual do PT disse repudiar "qualquer tentativa de criminalização dos movimentos sociais".

Todos os presos durante a Operação Castra devem responder pelos crimes de furto e dano qualificado, invasão de propriedade, incêndio criminoso, cárcere privado, lesão corporal, porte ilegal de arma de fogo restrita e constrangimento. Dois dos principais líderes continuam sendo procurados.

Ainda de acordo com a investigação iniciada após a invasão de uma fazenda em Quedas do Iguaçu, cerca de 10 mil trabalhadores sem-terra de vários acampamentos e assentamentos da região oeste e sudoeste do Paraná vivem sob um regime de leis criadas pelos coordenadores, numa espécie de estado paralelo.

Em depoimento, muitos acampados reclamaram das penalidades impostas a quem não cumpre as regras estabelecidas pelo grupo.

Ligações telefônicas interceptadas com autorização da justiça revelam que quem quiser sair do acampamento precisa pedir permissão.

Nestes locais, conforme um ex-morador que viveu na região de Quedas do Iguaçu, a segurança das áreas ocupadas é feita por milícias, as chamadas equipes de disciplina, que estabeleciam inclusive toque de recolher.

A polícia identificou também que as invasões comandadas pelo grupo normalmente são feitas em fazendas produtivas, seja por agricultura, pecuária ou plantação de madeira. Em alguns casos, eles até negociavam com os próprios donos das terras e cobravam quantias em dinheiro para que os produtores rurais pudessem colher a plantação.

O secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita de Oliveira, disse que a operação deflagrada não visou o MST como um todo, mas quadrilhas que agem no interior do movimento.

 

G1

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