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Adriana Riva

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A Lição do Avental
Que “páscoa” você vai priorizar: do estômago ou do espírito?

 

Assim que termina a caminhada quaresmal, iremos vivenciar o clima da Semana Santa. A cada ano temos a oportunidade de atualizar a Páscoa de Jesus de Nazaré em nossas vidas. Em 2013 estamos dando um enfoque maior para a paixão, morte e ressurreição de nossa juventude. Estamos na iminência de celebrar o Mistério Pascal de forma verdadeira, isto é, passando da tristeza para a alegria, das opressões para a liberdade, da escravidão para a dignidade. Caso contrário, iremos cambiar o essencial pelo periférico: ficaremos apenas na recordação da via-sacra que aconteceu há quase dois milênios, com teatros espetaculares, e na corrida desenfreada em busca de chocolates.

Na visão mercadológica, a Páscoa é mais uma ocasião para o público consumidor comprar, comer, beber, presentear, etc. E quem não tem dinheiro? Fica excluído automaticamente, contentando-se em satisfazer seus desejos no espaço virtual. A Boa Nova é que na mesa cristã tem lugar para todos e todas. Basta unicamente preparar-se e cumprir a ordem que veio acompanhada do sinal das cinzas: “Converta-se e creia no Evangelho”.

João, (cf. o capítulo 13, no lava-pés que antecede a ceia), provoca uma reviravolta nos leitores e leitoras: passar da lógica do poder à lógica do serviço. O diabo entra em ação no Cenáculo. Bola um projeto de traição. Ele é feito para ser “burro”. Não entende nada de matemática. Só sabe subtrair e dividir. Nada de somar e multiplicar. Sua burrice é diretamente proporcional à sua maldade. Só o bem soma e multiplica. O mal devassa, rouba, mata, racha... Implanta a lógica dominadora. Semeia individualismo e egoísmo. Transforma os amigos em inimigos. Mina a fraternidade. Instiga à traição. Entra na comunidade e acaba com tudo. É neste contexto, na pior noite de sua vida, com o diabo solto por aí, que Jesus faz um gesto impensável: veste um avental, se dobra diante dos apóstolos e lava seus pés. Depois senta. Nada de tirar o avental. Este passa a fazer parte dos trajes da Igreja. Torna-se peça obrigatória do vestuário da comunidade cristã. É assimilado no DNA, no patrimônio genético do discípulo. Torna-se a marca registrada de seu estilo de presença no mundo.

O avental da última ceia anuncia que a vida de Deus é, em primeiro lugar, serviço. Competições, rivalidades, espírito de superioridade, busca obsessiva de elogios, absolutização dos próprios interesses, soberba e orgulho matam a vida de Deus nas comunidades. Cadê o nosso avental? Lavado, passado e guardado no fundo do baú cheirando a naftalina, ou devidamente vestido e integrado na nossa prática pastoral e social? Que “páscoa” você vai priorizar: do estômago ou do espírito?

Pe. Cleto João Stülp, Dionísio Cerqueira, 22 de março de 2013.

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