A greve de caminhoneiros que estava iminente não vai mais sair, pelo menos até segunda ordem. A decisão da categoria foi tomada em assembleia no Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista (Sindicam), na noite desta quinta-feira (19).
A ameaça dos caminhoneiros ganhou força depois que o preço do diesel aumentou como consequência da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que afetou o mercado global de petróleo. O combustível acumulou alta de 18,86% desde o fim de fevereiro.
O governo federal atuou para segurar o preço do diesel. Primeiro, zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel para diminuir o impacto na economia brasileira das oscilações do petróleo. Depois, tentou negociar com os governos estaduais para reduzir o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel importado.
A assembleia desta quinta é considerada “soberana” pela categoria, e decisões tomadas nela são seguidas por caminhoneiros de outros estados. Após a reunião desta quinta, os caminhoneiros vão aguardar sete dias e depois vão reavaliar. Uma nova assembleia deverá ocorrer no dia 26 de março.
Mais cedo, nesta quinta-feira (19), foi publicada em edição extra no Diário Oficial da União uma medida provisória que prevê punições para as empresas que não pagam preço mínimo de frete aos motoristas. A fiscalização será feita pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), com o aumento da fiscalização para 100% dos fretes.
O prazo de sete dias foi estabelecido pelos caminhoneiros para que a categoria possa negociar pontos da MP com o governo federal. Segundo disse ao portal UOL o presidente do Sindicam, Luciano Santos, com a negociação em andamento, “não é o momento de greve” — apesar da insatisfação por conta do preço do diesel. “Para nós, o piso mínimo é dignidade e qualidade de vida para os caminhoneiros. Se subir o diesel agora, com as regras dessa MP, o frete subirá também”, afirmou.
Um dia antes da nova assembleia, em 25 de março, caminhoneiros vão se reunir com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. O encontro foi confirmado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL).