Operação investiga esquema de atestados médicos falsos para soltar presos
A operação também tem como alvo apenados procurados pela Justiça
Por: Jeferson Rodrigues
06 de maio de 2026
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O homem que atirou contra um policial militar durante a operação Efeito Colateral, deflagrada nesta terça-feira (5) no Litoral Norte de Santa Catarina, é um médico investigado por emitir atestados falsos para beneficiar detentos do complexo penitenciário de Itajaí.

Segundo as investigações, o profissional seria responsável pela emissão de documentos médicos fraudulentos que simulavam comorbidades graves e inexistentes. Com os atestados assinados por ele, uma advogada solicitava à Justiça a liberdade ou a regressão para prisão domiciliar de presos.

O médico era um dos alvos da operação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), que cumpre quatro mandados de prisão e 35 mandados de busca e apreensão em cidades de Santa Catarina e do Paraná.

Durante a abordagem em Camboriú, o investigado reagiu e efetuou diversos disparos de arma de fogo contra os policiais. Um policial militar foi atingido na perna, recebeu atendimento do Corpo de Bombeiros e foi encaminhado ao hospital em estado estável de saúde, conforme informou a PM. O médico acabou preso.

De acordo com o Ministério Público de Santa Catarina, a investigação aponta que o médico atuava em conjunto com uma advogada para produzir documentos falsos usados em pedidos judiciais de soltura ou prisão domiciliar. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

Ainda segundo o MPSC, a maioria dos detentos beneficiados seriam lideranças criminosas que, após conseguirem prisão domiciliar, frequentemente rompem as tornozeleiras eletrônicas e passam à condição de foragidos da Justiça.

A operação também tem como alvo apenados procurados pela Justiça. Mandados estão sendo cumpridos em endereços residenciais e empresariais ligados aos investigados nas cidades de Camboriú, Itajaí, Balneário Camboriú, Barra Velha, Gaspar, Navegantes, Joinville, Itapema e Porto Belo, em Santa Catarina, além de Pinhais e Pontal do Paraná, no Paraná.

Os agentes buscam recolher documentos, equipamentos eletrônicos, mídias e outros materiais que possam reforçar as provas da investigação. O caso tramita sob sigilo, mas uma coletiva de imprensa deve ocorrer ainda nesta manhã para divulgar novos detalhes da operação.

Fonte: Redação Rádio Tri
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