A notícia de que três pessoas morreram e outras cinco foram infectadas por hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius traz de volta um medo que a Covid-19 deixou gravado na memória coletiva: será que estamos diante de um novo vírus capaz de desencadear uma pandemia? A resposta, segundo especialistas, é não.
Mas isso não significa que o hantavírus deva ser ignorado. Oito casos já foram confirmados a bordo do MV Hondius, incluindo três óbitos.
O hantavírus circula naturalmente em roedores e são transmitidos ocasionalmente a humanos. Não é um vírus novo. Ele está presente há décadas em ecossistemas mundiais, mas se comportam de maneiras diferentes dependendo da região geográfica.
Nas Américas, a infecção pode levar à Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), uma condição que compromete rapidamente os pulmões e o coração. Já na Europa e na Ásia, os hantavírus são conhecidos
por causar febre hemorrágica com síndrome renal (FHSR), que afeta principalmente os rins e os vasos sanguíneos.
A infectologista Flávia Cunha Gomide Capraro, do Hospital Sugisawa, em Curitiba, explica que no Brasil o hantavírus costuma ser confundido com a leptospirose, por também estar associada a roedores e ter sintomas parecidos.
“Em geral, o quadro começa parecendo leptospirose. Mas quando evolui de forma mais grave, com comprometimento pulmonar ou renal mais intenso, aí começamos a entender como hantavírus”, explica a especialista
Foto: Agência Brasil