MPF denuncia grupo por tráfico internacional de mulheres e trabalho escravo no Paraná
A acusação é baseada em laudos periciais, análises telefônicas e imagens de videomonitoramento
Por: Jeferson Rodrigues
03 de setembro de 2026
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O Ministério Público Federal (MPF) denunciou cinco pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa envolvida no tráfico internacional de pessoas e na submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão. O esquema teria como base uma casa noturna em União da Vitória, no Sul do Paraná, onde mulheres estrangeiras eram exploradas sexualmente.

A denúncia é resultado da Operação Labareda e foi apresentada pela Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes (UNTC) do MPF.

Segundo as investigações, as vítimas eram recrutadas no Paraguai mediante falsas promessas de trabalho. Ao chegarem ao Brasil, teriam sido submetidas à exploração sexual e mantidas sob controle por meio de dívidas, cobranças e restrições à liberdade.

O MPF aponta que as mulheres ainda recebiam multas consideradas abusivas, que variavam de R$ 500 a R$ 5 mil, por situações como recusar atendimentos, discutir ou manifestar intenção de deixar o estabelecimento. Os valores eram registrados em cadernos e, conforme a denúncia, serviam para dificultar a saída das vítimas.

Após a fuga de uma das mulheres, o grupo teria intensificado as ameaças e a violência contra vítimas e testemunhas. Uma das mulheres chegou a ser sequestrada, mas conseguiu escapar ao se jogar de um veículo em movimento. Familiares dela no exterior também teriam recebido mensagens de intimidação.

A denúncia aponta ainda que integrantes do grupo provocaram um incêndio em uma casa noturna enquanto duas testemunhas dormiam no imóvel. Conforme o MPF, o objetivo seria matar as duas pessoas, que conseguiram escapar.

A acusação é baseada em laudos periciais, análises telefônicas e imagens de videomonitoramento.

Além de tráfico internacional de pessoas e submissão a condições análogas à escravidão, o MPF pede a condenação dos acusados por crimes como organização criminosa transnacional armada, rufianismo, manutenção de casa de prostituição, sequestro, lesão corporal, roubo e tentativa de homicídio qualificado.

O Ministério Público também pede a reparação dos danos materiais e morais causados às vítimas. A denúncia já foi recebida pela Justiça Federal do Paraná, dando início à ação penal. O processo tramita em sigilo para preservar a identidade e a intimidade das vítimas

Fonte: Redação Rádio Fronteira
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